Gerar embeddings para imagens, vídeos e texto | Generative AI on Vertex AI | Google Cloud Documentation
Embeddings Multimodais: A Nova Fronteira da Busca Semântica e do RAG em Escala
A inteligência artificial está em uma aceleração sem precedentes. Por muito tempo, o processamento de dados não estruturados — imagens, vídeos, áudio e textos — foi feito por modelos separados, criando ilhas de informação. Mas essa barreira está caindo. Hoje, modelos de embeddings multimodais, somados a bancos de dados vetoriais de alta performance, estão redefinindo como as máquinas compreendem e correlacionam conteúdos de naturezas completamente diferentes.
Nesta matéria, vamos explorar as novas capacidades do Google Cloud Vertex AI, o modelo Amazon Nova Embeddings e o banco de dados vetorial Milvus — três tecnologias que formam a espinha dorsal de um novo ecossistema de busca semântica, recuperação aumentada por geração (RAG) e agentes de IA multimodais.
O que são embeddings e por que eles importam
Em termos simples, um embedding é uma representação numérica — uma lista de pontos flutuantes — de um conteúdo no espaço vetorial. Dois textos ou imagens que são semanticamente similares ficam próximos nesse espaço, enquanto conteúdos não relacionados ficam distantes. Essa técnica é a base de sistemas de recomendação, pesquisa semântica e classificação de dados em larga escala.
O que torna os embeddings modernos tão poderosos é a capacidade de transcodificar significado: transformar palavras, frases, objetos, cenas, sons e movimentos em vetores de alta dimensão que encapsulam contexto e semântica. Mas, historicamente, cada tipo de dado exigia um modelo específico. Um sistema de busca de imagens, por exemplo, não entendia texto, e um modelo de texto não sabia o que fazer com um vídeo.
Com o avanço da arquitetura de transformers e do treinamento em dados massivos (incluindo milhões de pares imagem-texto), surgiram os modelos multimodais unificados. Eles mapeiam tudo para um único espaço vetorial. Isso é uma revolução silenciosa: a mesma API de embeddings pode agora processar texto, imagem, vídeo e áudio, devolvendo vetores que podem ser comparados diretamente entre si.
A ascensão de um espaço semântico unificado
O Amazon Nova Multimodal Embeddings é um dos modelos mais recentes nessa linha. Criado para aplicações de RAG e busca semântica baseada em agentes, ele é descrito como o primeiro modelo de incorporação unificado que suporta texto, documentos, imagens, vídeo e áudio por meio de um único modelo. O ponto-chave é a unificação: todos os tipos de conteúdo são mapeados no mesmo espaço geométrico, o que permite recuperação multimodal com precisão maior.
Do lado do Google Cloud, o Generative AI on Vertex AI oferece recursos similares. A documentação oficial do Google apresenta um exemplo de código de como usar o modelo multimodal para gerar embeddings de dados de imagem, texto e vídeo. O processo envolve acessar a API “embedding” do Vertex AI, que retorna vetores de conteúdo para cada modalidade.
Ambos os modelos seguem a mesma ideia central: quebrar a barreira entre modalidades. Com eles, consultar uma imagem e encontrar um vídeo relacionado, ou consultar uma frase e recuperar um clipe de áudio correspondente, deixa de ser ficção científica e vira uma chamada de API.
Google Vertex AI: gerando embeddings para imagens, vídeos e texto com um único exemplo de código
A documentação do Google Cloud mostra um caminho direto para quem deseja implementar essa tecnologia. No endpoint do Vertex AI, a chamada para geração de embeddings é feita através de um modelo multimodal que aceita entradas variadas. O exemplo oficial demonstra como:
- Fazer upload ou referenciar um arquivo de imagem (ex.:
gs://cloud-samples-data/vertex-ai/llm/prompts/landmark1.png); - Enviar um prompt textual simultaneamente;
- Receber um vetor de embeddings que representa o conteúdo conjunto.
O mesmo modelo é usado para vídeo, permitindo que um arquivo de vídeo seja embedado de forma equivalente ao texto. Isso é particularmente útil para empresas que precisam indexar grandes acervos de mídia, como catálogos e-commerce, bibliotecas de stock ou plataformas de streaming.
A beleza dessa abordagem é a simplicidade operacional. Em vez de manter três pipelines distintos (um para OCR, um para análise de frames de vídeo e outro para NLP), você possui um único modelo capaz de tratar todos. Isso reduz custo de infraestrutura e simplifica o código.
Milvus: o banco de dados vetorial que escala com a multimodalidade
Gerar embeddings é apenas metade do caminho. A outra metade é armazenar, indexar e buscar esses vetores de forma eficiente. É aqui que entra o Milvus, um banco de dados vetorial open-source que se tornou referência em sistemas de busca por similaridade em escala.
A documentação mais recente do Milvus (v3.0.x) destaca um recurso chamado Pesquisa Híbrida Multi-vetorial (Hybrid Multi-Vector Search). Em vez de usar um único tipo de representação vetorial, essa técnica permite combinar múltiplas representações — por exemplo, vetores densos (que capturam semântica profunda) e vetores esparsos (que capturam correspondência exata de termos, como palavras-chave). O resultado é uma busca muito mais robusta.
O Milvus oferece uma série de métodos de busca, incluindo:
- Pesquisa básica com RAN (Range-based ANN), que facilita buscas por afinidade dentro de intervalos de similaridade;
- Pesquisa por chave primária, para recuperação exata;
- Filtragem avançada, combinando critérios escalares com vetores;
- Pesquisa de texto completo, integrando busca lexical clássica com busca semântica;
- Suporte a StructArray, para dados complexos.
O uso de múltiplos vetores por documento é especialmente importante quando pensamos em multimodalidade. Imagine um vídeo que é representado por um vetor do Nova Embeddings (para o conteúdo visual) e outro vetor do Vertex AI (para a transcrição do áudio). O Milvus permite indexar ambos os vetores e executar buscas que combinam esses sinais em uma única consulta. A "pesquisa híbrida multi-vetorial" garante que a consulta do usuário ("praias paradisíacas com pôr do sol") encontre tanto vídeos quanto imagens e textos que correspondam a esse conceito.
Esse tipo de arquitetura é a base de sistemas como:
- RAG multimodal: onde o contexto recuperado para alimentar um LLM pode incluir imagens, trechos de vídeo e áudio, não apenas texto.
- Busca semântica federada: onde você pesquisa em um catálogo global de conteúdo sem se preocupar com o tipo de mídia.
- Agentes de IA: que precisam entender e recuperar informações de múltiplas fontes para executar tarefas complexas.
Aplicações práticas e o impacto nos negócios
A convergência entre embeddings multimodais e bancos vetoriais híbridos abre um leque de aplicações transformadoras.
Atendimento ao cliente com RAG multimodal
Um chatbot de suporte técnico pode receber uma foto do produto defeituoso e uma mensagem de texto do cliente. O sistema gera o embedding da imagem e o embedding do texto, busca no Milvus por casos similares que incluam imagens de defeitos, e usa essas evidências para construir uma resposta via LLM. O resultado é uma resposta precisa e contextualmente rica.
Busca unificada em mídia e entretenimento
Uma plataforma de streaming pode indexar todo o seu conteúdo — capas, trailers, legendas e até áudios de dublagem — em um único espaço vetorial. O usuário pesquisa "filmes de ficção científica com estética cyberpunk" e o sistema retorna títulos que combinam com a descrição, mesmo que o texto não apareça na legenda.
E-commerce e moda
No varejo online, a busca visual já é comum. Mas com embeddings multimodais, o sistema pode entender que uma imagem de um vestido vermelho tem semelhança semântica com um texto "vestido elegante para festa", mesmo que as cores e texturas sejam diferentes. Isso permite recomendações mais sutis e relevantes.
Agentes autônomos e análise de vídeo
Agentes de IA que operam em ambientes com vídeo (como monitoramento de fábricas ou segurança pública) podem indexar horas de gravação e responder a consultas específicas: "Quando foi a última vez que um funcionário usou EPI?" Eles podem cruzar o vídeo, o áudio ambiente e as anotações de texto em uma única busca.
O futuro: rumo à busca semântica total
O que estamos vendo agora é apenas o começo. As pesquisas em modelos de embeddings multimodais estão avançando em direção a representações ainda mais densas e contextuais. A promessa é que, em um futuro próximo, qualquer pedaço de informação — um frame de vídeo, um trecho de música, um gráfico, um sensor IoT — possa ser transformado em um vetor e integrado a um sistema de busca unificado.
Do lado da infraestrutura, bancos como Milvus estão incorporando técnicas cada vez mais sofisticadas de indexação, como grafos de navegação hierárquica (HNSW) e quantização vetorial, para tornar essas buscas quase instantâneas, mesmo em bibliotecas de bilhões de vetores. A combinação de embedding models robustos com vector databases resilientes não é apenas uma tendência — é a fundação sobre a qual serão construídos os próximos ecossistemas de IA empresarial.
Conclusão
Gerar embeddings para imagens, vídeos e texto deixou de ser um exercício acadêmico. Com soluções como Google Cloud Vertex AI, Amazon Nova e Milvus, essa capacidade está acessível a qualquer empresa que queira construir produtos inteligentes. O modelo semântico unificado permite que dados de diferentes naturezas conversem entre si, enquanto o banco de dados vetorial com busca híbrida multi-vetorial garante que essa conversa aconteça em escala e com alta precisão.
A mensagem central é clara: a próxima geração de aplicações de IA não será definida apenas por modelos mais inteligentes, mas pela capacidade de conectar todos os tipos de conteúdo em uma rede semântica coesa. Quem dominar essa integração desde cedo estará na vanguarda da inovação — com buscas mais úteis, recomendações mais relevantes e agentes de IA verdadeiramente contextuais.
Fique de olho: o futuro da busca não tem limite de formato.